Por: Edson Leonardo Pilatti
As ruidosas manifestações de
junho pautaram em todo o país a necessidade de mais investimentos e melhorias
nos serviços públicos de transportes, saúde, educação, segurança e outras
pautas como o fim da corrupção. A crise política atingiu o espectro nacional. O
governo federal, os municípios e os governos dos estados regozijam-se para
atender o clamor das ruas, o que torna valiosa a conquista da Juventude e dos
movimentos de junho. Os partidos políticos foram os que mais sofreram com o
desgaste, atingindo a todos! Mas alguns avanços já são sentidos, como o exemplo
do programa Mais Médicos e o próprio anúncio da presidenta Dilma de R$ 50 Bi
para a Mobilidade Urbana e o transporte coletivo de massas. Em muitos
municípios, em relação ao transporte, estão ainda em processo de investigação
sobre a qualidade do serviço prestado pelas concessionárias e sobre um valor
justo para a tarifa. Em Maringá a conquista foi a CPI dos Transportes.

A
Pressão Popular expôs as feridas dos vínculos que calam os que “reservam o
plano pessoal”, muitos são intransponíveis, não seria prudente criticar, uma
“coexistência” é exigida para os que ainda pretendem garantir espaço no
mercado, tanto em empresas como o próprio espaço profissional. O jornalismo não
está fora da “área de contaminação”, ao contrário! E todos sabem que assim está
pré-estabelecido, ninguém é ingênuo. Se a realidade está pré-estabelecida,
então presumo que quem nasceu com esta não sabe de outra coisa além da própria
realidade que lhe foi imposta. Ao ler "o mito da caverna", sabemos
que um homem que tinha uma realidade pré-estabelecida, por meio do machado se
aventurou a outra realidade. Mas requer coragem! Mas homens e mulheres de
coragem, normalmente perdem dinheiro e às vezes o próprio emprego! Essa é a
realidade de um contexto em que está encurralada a conquista de junho em
Maringá.
A CPI tem um limite claro e o
foco será a redução da tarifa, pelas informações já levantadas, existe uma
grande possibilidade de redução da tarifa. Mas se reduzirmos a tarifa apenas, o
que acontecerá com as questões da qualidade? Como a redução da tarifa poderá
solucionar a questão da lotação nos horários de pico, de uma frota de qualidade
inferior e carros mais baratos em relação aos de outros municípios? A qualidade
inferior da frota é um item a ser inspecionado pela CPI? Aqui temos verdadeiros
caminhões com carroceria de ônibus e ninguém colocará isso em questão? Será que
estaremos arrumando um “bode expiatório” e jogando toda a culpa para os
problemas do fluxo viário? Será que a CPI objetivou conhecer e compreender de
que modo os motoristas de ônibus percebem a sua qualidade de vida relacionada
ao trabalho que exercem? Há muita incompreensão sobre questões técnicas e isso
é um pano de fundo para uma grande tergiversação sobre a realidade do sistema.
Os motoristas estarão sendo crucificados como os responsáveis pelas péssimas
condições de trânsito e atendimento da população no cumprimento dos horários. O
Trânsito em Maringá foi a principal justificativa de uma pretensa
“impossibilidade” para o cumprimento de horários. Mas vejamos: Se o Nosso sistema
viário ainda não está estruturado por uma concepção modular das estações que
permitiria a sua ampliação gradual de acordo com o aumento da demanda devido
à expansão do sistema, garantindo a manutenção do nível de serviço aos
usuários. Na concepção modular, os terminais e estações de integração seria
posicionado em pontos estratégicos na rede de transportes possibilitando a
integração física e tarifária entre diferentes serviços, fundamentais para a
operação de um sistema tronco alimentado.
Fonte: Eloisa Maieski Antunes: Avaliação da
qualidade do transporte público por ônibus sob o ponto de vista do usuário em
cidades médias paranaenses (http://www.peu.uem.br/Discertacoes/Eloisa.pdf)
No entanto, pra implantação do sistema
seriam necessários os investimentos em infraestrutura viária no setor de
transportes em Maringá. Porém, mesmo sendo anunciados investimentos em 2010 que
teriam inicio em 2011. Dando a Notícia de que fora “Assinado acordo de US$ 13milhões para obras no trânsito de Maringá”, até hoje estão à sombra do paço
municipal! A população de Maringá está
apreensiva quando aos resultados da CPI, pois apenas a redução da tarifa não
significará a melhoria da qualidade do serviço e não estaremos apurando as
responsabilidades pela não existência de investimentos na infraestrutura viária
e na mobilidade urbana na cidade. Podemos ter uma vitória parcial e pífia se
esse resultado estive resumido à baixar uns centavos da tarifa. Não é apensa
por 0,20 centavos!
O Movimento Transporte Para Todos continuará buscando
esclarecer a população sobre a necessidade de investimentos concretos e uma
gestão municipal mais comprometida com a melhoria das condições de locomoção em
Maringá, seja pela ampliação do serviço de transporte coletivo com os devidos investimentos na infraestrutura como: os pontos de ônibus cobertos, faixas e corredores exclusivos para os ônibus, os terminais de bairro, seja pelo
estímulo à utilização de meios mais baratos e saudáveis, como a implantação das
prometidas ciclovias.
A luta agora não é
mais apenas pela redução da tarifa e sim pelo cumprimento da obrigação dos
gestores e dos vereadores em aprofundar um debate sobre a necessidade de um
Plano de Mobilidade Urbana que ainda encontra-se em elaboração e não existe em
Maringá. O Plano Diretor precisa incorporar um plano setorial de transportes e
mobilidade. Os recursos existem, o que falta é vontade política e interesse (ou
competência) dos gestores. Apenas o controle social poderá garantir a
participação e união dos diversos atores sociais, técnicos e políticos para a
promoção desse avanço. Acreditamos que esse debate passa pela criação de um
Conselho Municipal de Transporte e Mobilidade Urbana, que é urgente!
Vejam o Vídeo reportagem: Moradores saem às ruas, vão à sessão da Câmara e conseguem CPI do transporte coletivo.